No começo de novembro a Igreja vive dois dias que andam de mãos dadas: em 1º de novembro, a Solenidade de Todos os Santos; em 2 de novembro, a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, o Dia de Finados. O primeiro olha para o céu e celebra todos os que já estão com Deus. O segundo reza por aqueles que partiram e ainda podem precisar da nossa oração. Juntos, lembram a cada família que a morte não tem a última palavra e que todos somos chamados à santidade.
Todos os Santos: uma festa para os santos que não conhecemos
A Igreja tem um dia no calendário para muitos santos: Santa Teresinha, São Bento, Santa Rita. Mas a Solenidade de Todos os Santos celebra a multidão inteira dos que chegaram ao céu, inclusive aqueles cujo nome nunca foi escrito em um livro. Pode ser uma avó que rezava o Terço todas as noites, um vizinho que servia em silêncio, uma mãe que cuidou dos filhos com paciência. O livro do Apocalipse fala de uma multidão imensa, de todas as nações, que ninguém podia contar, diante do trono de Deus.
É uma festa de esperança. Ela mostra que a santidade não é privilégio de poucos, mas o caminho normal de quem segue Jesus no dia a dia. O Concílio Vaticano II lembrou exatamente isso: todos os fiéis, em qualquer estado de vida, são chamados à plenitude da vida cristã.
Neste ano, 1º de novembro cai num domingo, e a solenidade é celebrada no próprio dia. No Brasil, quando a data cai durante a semana, a celebração costuma ser transferida para o domingo seguinte.
Finados: rezar por quem partiu
No dia seguinte, 2 de novembro, a Igreja reza por todos os que morreram. Os católicos creem que, depois da morte, algumas almas passam por uma purificação antes de ver a Deus face a face, o que chamamos de purgatório. Nossa oração, a Missa oferecida por elas e as boas obras feitas em sua intenção as ajudam nesse caminho. É um ato de amor que continua depois da despedida.
Por isso, Finados não é só um dia de saudade. É um dia de oração confiante. Visitar o túmulo, levar flores e acender uma vela são gestos bonitos, mas ganham sentido completo quando vêm acompanhados de uma prece pelo descanso de quem amamos.
A Igreja também oferece, nos primeiros dias de novembro, a possibilidade de obter indulgência plenária em favor dos falecidos, visitando um cemitério e rezando por eles, com as condições habituais: confissão, comunhão e oração pelas intenções do Papa. Vale perguntar na sua paróquia como isso é vivido na sua comunidade.
Como viver esses dias em família
Não é preciso nada complicado. Algumas ideias simples:
- Vá à Missa juntos. A Missa de Todos os Santos e a de Finados são o centro desses dias.
- Conte a história de um santo. No almoço de domingo, cada pessoa pode falar do seu santo de devoção ou do santo do seu nome. Com crianças, vale contar histórias curtas e pedir que desenhem o santo escolhido.
- Monte uma lista de nomes. Escrevam juntos os nomes dos familiares e amigos falecidos. Deixe a lista no cantinho de oração e reze por eles durante o mês de novembro.
- Visite o cemitério com calma. Explique às crianças que ali se reza, e não apenas se lembra. Uma Ave-Maria diante do túmulo já é uma oração verdadeira.
- Reze o Terço pelos falecidos. Uma dezena por noite, oferecida pelas almas, é uma forma bonita de prolongar Finados.
Uma oração tradicional curta, fácil de aprender em família, é esta: "Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, e a luz perpétua os ilumine. Descansem em paz. Amém."
A pintura de Dürer
A imagem de capa é o chamado Retábulo de Todos os Santos, pintado por Albrecht Dürer em 1511 e hoje no Museu de História da Arte de Viena. No alto está a Santíssima Trindade. Em volta, em círculos, aparecem anjos, santos, papas, reis e gente comum, todos voltados para Deus. Embaixo, uma paisagem tranquila lembra que a terra é o caminho e o céu é o destino. É uma boa imagem para estes dias: a grande família de Deus reunida na mesma adoração.
Os santos nas estampas Holy Spirit
As estampas da loja nasceram dessa mesma alegria de ter amigos no céu. A baby look Mães do Céu – Aquarela reúne numa só arte Nossa Senhora das Graças, de Fátima, Aparecida e de Guadalupe. A baby look Santa Teresinha do Menino Jesus – Flores de Maria lembra a santa da pequena via, que mostrou que a santidade pode estar nas coisas pequenas feitas com amor. Para ver outras santas, há também a coleção Santas.
Todos os santos e santas de Deus, rogai por nós. E que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz.
Imagens: Albrecht Dürer, Retábulo de Todos os Santos (Retábulo Landauer), 1511, domínio público, via Wikimedia Commons.